Associação de Pós-Graduandos da UFSC
  • Todo apoio à greve da Comcap e contra o pacotaço do prefeito Gean Loureiro

    Publicado em 25/01/2021 às 18:20

    Os trabalhadores e as trabalhadoras da COMCAP estão em greve desde o dia 20 de janeiro, aprovando hoje (25) a continuidade da luta contra a retirada de direitos, que inclui diminuição de salário, e contra a reestruturação da autarquia. A medida é parte de um verdadeiro pacote de maldades enviado pelo prefeito Gean Loureiro (DEM) à Câmara de Vereadores, que será votado em regime de urgência amanhã (26) às 9h.

    A APG-UFSC vem saudar publicamente a luta contra a reestruturação da COMCAP, colocando-se ao lado dos/as trabalhadores/as do SINTRASEM (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis). Por isso, em primeiro lugar, fazemos coro ao chamado de trabalhadores/as para o ato em frente à Camara de Vereadores (Rua Anita Garibaldi, 35 – Centro), amanhã, a partir de 8h!

    Em segundo lugar, repudiamos as inúmeras tentativas de intimidar o movimento, como o ataque com artefato explosivo à residência e à família do presidente do SINTRASEM e a campanha de difamação construída pela mídia para desmoralizar a greve legítima da categoria. A COMCAP é parte dos serviços públicos prestados ao povo, com mais de quatro décadas de qualidade na coleta de lixo, capina, da varrição e limpeza de valas, chegando nos cantos mais remotos da cidade e oferecendo aos trabalhadores condições dignas de trabalho. Além de acarretar perda da qualidade do serviço – o que já pode ser observado nesses dias de greve em que uma empresa tercerizada foi acionada para realizar a coleta em regiões da cidade –, a tercerização afeta o parco pagamento dos trabalhadores/as. Na empresa contratada, é pago R$100,00 por 12 horas de trabalho, sem o devido fornecimento de EPIs, sem treinamento para realização adequada da coleta de lixo algo crucial para a segurança dos trabalhadores e dos cuidados com relação ao meio ambiente, sem garantia ainda de alcance nas regiões mais periféricas de Florianópolis e amparo à cidade em um momento de emergência como o provocado pelas grandes chuvas nessa última semana. A diferença do serviço prestado é visível e já acumula reclamações de moradores. A COMCAP realiza um seviço público ao povo de Florianópolis, enquanto empresas tercerizadas visam apenas o lucro, com cobranças altas e serviços ruins que ampliam essa margem visando apenas encher o bolso dos de cima. A tercerização da COMCAP, portanto, é uma perda para o povo de Florianópolis e para todas as pessoas empregadas pela autarquia.

    A narrativa que visa desmoralizar a luta dos/as trabalhadores/as da COMCAP e responsáblizá-los/as pela situação de calamidade pública em que a cidade se encontra tenta mascarar o verdadeiro problema: o prefeito Gean Loureiro prioriza passar seu pacotaço goela abaixo do povo, enquanto pessoas são soterradas dentro de suas casas ou sofrem com as enchentes. Os alagamentos hoje vividos são causados majoritariamente pelo crescimento urbano pautado na lógica do lucro de poucos, de construções de grandes prédios, shoppings sobre o mangue e sobre uma relação predatória com o meio ambiente. O asfaltaço do prefeito, a cara de sua campanha de reeleição, não só custou 300 milhões, mas é o grande culpado do acúmulo de água: não possui sistemas de drenagem e cobriu muitos bueiros. Tudo isso diz respeito a um projeto de cidade que deve ter sua continuidade com a aprovação do pacotaço. A cidade está embaixo da água e a única coisa que Gean pensa é nos afogar ainda mais nesse pacote de calamidades.

    O pacote inclui, além da reestruturação e futura privatização da nossa COMCAP, o corte de direitos de trabalhadoras e trabalhadores do serviço público; venda de terrenos públicos (um total de 54 imóveis do município, que totalizam 39 mil metros quadrados, localizados principalmente no norte da Ilha e com terrenos estimados pela prefeitura em R$5 milhões); inclusão de diversas entidades empresariais no Conselho Municipal de Educação (serão 12 cadeiras para a iniciativa privada) e uma mudança no seu formato, a partir da qual perde o seu caráter deliberativo e se dá poder de veto nas mãos do Secretário de Educação; e um ataque à política de assistência social pública, fortalecendo a SOMAR Floripa, fundação pautado no voluntariado e vinculada à esposa de Gean Loureiro, que seria vinculada diretamente ao gabinete do prefeito e não à Secretaria Municipal de Assistência Social.

    Além do citado acima, também está prevista reformulação do Plano Diretor da cidade, facilitando construções pelas grandes empreiteiras, o sonho dos especuladores. Pessoas mais pobres com construções irregulares entram no radar da demolição, podendo perder sua casa para tornar a cidade mais a cara da burguesia e não do povo. As expressões de apoio ao pacotaço de Gean vêm de setores como CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e a ACIF (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis), o que demonstra que este é do agrado dos ricos, das entidades representantes dos patrões, pouco dizendo respeito aos efetivos interesses da maioria daqueles e daquelas que constroem esta cidade. Tudo isso somado em um pacote que facilita a criminalização da luta de trabalhadores/as do município, visando a longo prazo intimidar e diminuir a capacidade das categorias do serviço público em responder de forma coletiva aos ataques promovidos pela prefeitura.

    A APG-UFSC coloca-se junto dos movimentos sociais, sindicais e comunitários contra todo o pacote de Gean Loureiro e seus capangas, que tentam outra vez colocar a cidade à venda e ainda mais nas mãos do capital imobiliário. Reforçamos o convite a todos e todas os/as pós-graduandos/as para se somarem na luta em defesa da COMCAP e contra todo o pacote de Gean Loureiro. Amanhã (26), haverá concentração a partir de 8h, em frente à Câmara de Vereadores (Rua Anita Garibaldi, 35 – Centro), e contamos com a presença da categoria para empolgar com força essa luta imediata e necessária. Entre nós, os muitos e muitas que pesquisam a cidade em perspectivas ambientais, sociais, educacionais e de infraestrutura sabem como o pacote do prefeito é um ataque ao que devemos construir nesse momento. Além disso, somos moradores e moradoras da cidade, somos atendidos/as pelo serviço da COMCAP e sofreremos coletivamente com sua precarização.

    TODA SOLIDARIEDADE À LUTA DOS TRABALHADORES E DAS TRABALHADORAS DA COMCAP!
    A COMCAP E A CIDADE SÃO DO POVO! FORA PACOTAÇO DO GEAN!

    Para mais informações:

    “TRABALHADORES EM GREVE CONTRA A DESTRUIÇÃO DA COMCAP!” – Notícia do SINTRASEM
    http://sintrasem.org.br/Default/Noticia/18127/trabalhadores-em-greve-contra-a-destruicao-da-comcap!

    “NÃO AO PACOTAÇO!” – Informações sobre o Pacotaço de Gean Loureiro na página do vereador Marquito (Psol)
    https://www.marquitoagroecologia.com/pacotaco-gean
     

    “Pacotaço de Maldades do Gean: A patrola dos ricos esmaga direitos e pilha o bem comum do povo de Florianópolis” – Nota do Movimento pela Ponta do Coral 100% Pública
    https://parqueculturaldas3pontas.wordpress.com/2021/01/25/pacotaco-de-maldades-do-gean-a-patrola-dos-ricos-esmaga-direitos-e-pilha-o-bem-comum-do-povo-de-florianopolis/


  • Nota: “Até quando a UFSC e o CTC serão coniventes com misoginia e racismo?”

    Publicado em 04/12/2020 às 9:45

    A APG-UFSC assina a nota abaixo, que circula entre centros acadêmicos do CTC-UFSC.

    O professor Sérgio Colle é conhecido na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) por posicionamentos de extrema-direita misóginos e racistas, pelos quais responde a um processo administrativo. Recentemente, Colle foi aposentado por idade. Nesta sexta-feira, dia 04/12, uma reunião do Departamento de Engenharia Mecânica do Centro Tecnológico (EMC-CTC-UFSC) votará o pedido de serviço voluntário de professor aposentado de Colle. O objetivo desta carta é opor-se à aprovação deste pedido.

    Enquanto pesquisador, Colle possui um currículo invejável, sendo referência internacional na área de energia solar e membro da Academia Nacional de Engenharia. Entretanto, a missão e os valores da UFSC não incluem apenas resultados de pesquisa científica. Pelo contrário: a missão tem como perspectiva a “construção de uma sociedade justa e democrática e na defesa da qualidade da vida”. Dentre os valores, pode-se destacar que a UFSC se diz “Uma Universidade inclusiva, capaz de olhar para os mais diversos grupos sociais e compor um ambiente em que impera o respeito e a interação para com todas as diversidades, nacionalidades, classes, etnias e pessoas com deficiência, comprometendo-se com a democratização do acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade para todos, de forma a superar qualquer desigualdade, preconceito, exclusão ou discriminação, construindo uma sociedade mais justa e harmônica para as gerações vindouras”. Durante seus mais de 40 anos de atuação como professor da UFSC, o professor Colle opôs-se a esses valores. Para ilustrar esta oposição, citaremos trechos de mensagens enviadas pelo professor na lista de discussão do CTC no e-mail institucional da UFSC. Estas mensagens foram divulgadas em 2019 pela Coletiva Centospé, e o próprio Colle retificou a veracidade das mesmas em uma reportagem publicada pelo Jornal da Cidade.

    Colle assumiu publicamente seu posicionamento racista, ao chamar cotista de imbecis e macacos: “A lógica da falsidade e inutilidade tem por objetivo cooptar a enormidade de imbecis do coletivo brasileiro (sobretudo os cotistas das universidades), de que o subdesenvolvimento científico deve-se a tal dominação. Ora, a patuleia simiesca, e por conseguinte, deseducada, absorverá este tresloucado discurso, até porque eles tem preguiça de pensar (…)”. O xingamento a cotistas foi repetido em uma nova série de e-mails da mesma lista de e-mails, que continua sendo um canal institucional para professores abertamente exibirem seus preconceitos. Num debate sobre cotas na pós-graduação, Colle chama cotistas de “medíocres” e diz que seu ingresso será responsável pelo fechamento de cursos de pós-graduação. Colle também já exibiu orgulhosamente sua misoginia ao falar de um evento de mulheres na engenharia solar: “Convenhamos que há uma relação entre mulheres e energia solar. Mulheres bem produzidas são usuárias de energia solar e de protetores solares. Espero que em tal evento haja uma exposição de mulheres bonitas, com os clássicos biquínis a absorver energia solar para nosso deleite (…) Espero que nosso laboratório seja visitado pelas participantes, preferivelmente bonitas e/ou simpáticas”. Colle expôs sua visão de que mulheres e cotistas têm participação excessiva na política universitária ao criticar o programa Mulheres na Ciência: “Mas quem promove uma ideia bestialoide dessa é um espertalhão. Ora, ainda estamos numa fase primitiva de caos que é a eleição para reitor e as mulheres constituem uma boa fração do eleitorado, a exemplo dos cotistas (…)”. Colle reiterou sua posição contra as eleições na matéria do jornal da cidade: “Urge uma ação de caráter executivo do Governo Federal, a fim de intervir nas universidades no bojo de novas leis, que venham suprimir de pronto a perniciosa eleição direta para reitor (…)”. Nos e-mail divulgados pela Coletiva Centospé, também há falas homofóbicas, xingamentos a feministas e elogios a ditaduras.

    As citações acima não são exemplos da livre circulação de ideias e liberdade de expressão, que também são valores da UFSC. As citações são sim exemplos de discurso de ódio, que têm por objetivo manter pessoas negras, mulheres e LGBTs longe da UFSC e da engenharia. Não há liberdade de expressão quando grupos historicamente silenciados continuam sendo excluídos. Ao posicionar-se tão abertamente contra a inclusão, o professor Colle mostra-se incapaz de cumprir alguns dos deveres exigidos pela Resolução normativa nº 67/2015/CUn, que regulamenta os servidores voluntários: Seção I – Dos deveres: “VI – tratar com urbanidade os servidores, alunos, prestadores de serviço e demais pessoas que tenham acesso à universidade”; “IX – Manter conduta compatível com a moralidade administrativa”.


  • Conselheiros pela Democracia divulgam nota de repúdio ao racismo institucional

    Publicado em 02/12/2020 às 16:39

    Na sessão do Conselho Universitário de terça (01), foi lida uma nota de repúdio às posições racistas de um conjunto de professores do CTC/UFSC, emitidas em uma lista de emails institucional.

    A representação da APG junto ao CUn assina e reforça a mensagem dessa nota, escrita junto à bancada “Conselheiros pela Democracia”, que inclui representação do DCE, SINTUFSC e de professores.

    Esperamos que, na próxima sessão do CUn, possamos ver um posicionamento coletivo de repúdio em nome da Universidade e medidas concretas de enfrentamento ao racismo institucional!

    A nota e as assinaturas podem ser lidas aqui.


  • Ao contrário de coordenadores, estudantes da pós fazem avaliação nada positiva do ensino não presencial na UFSC

    Publicado em 30/11/2020 às 11:45

    “Queria muito ficar, mas acho que vou sair mais cedo porque acabei de vir de uma reunião e vai ter outra agora às 9”. “Me sinto exausta o tempo todo”. “Todo sábado de manhã entrego tarefa no moodle mas é pra cumprir tabela, não sinto que estou aprendendo direito”. “Me perguntam qual é a minha pergunta de pesquisa e já não sei mais pra onde estou indo”. “Será que é só eu que estou me sentindo assim?”.

    Foi isso que vários e várias estudantes disseram sobre sua experiência com o primeiro semestre no modelo remoto na pós-graduação da UFSC, em reunião aberta organizada pela Associação de Pós-Graduandos (APG-UFSC) sobre o tema no dia 17 de novembro. Na contramão da nota autocongratulatória publicada este mês pela universidade, pudemos observar efeitos do ensino remoto na pós-graduação talvez menos visíveis para coordenadores: estafa, insegurança, abandono. O título da nota produzida pela UFSC, nesse sentido, causa espanto.

    Destacamos que a última seção da nota, inclusive, assemelha-se com o que foi relatado pelas estudantes: “o sistema de ensino remoto […] em muitos casos traz maior desgaste a todos”; “falta das interações sociais do ensino presencial, excesso de atividades assíncronas, dificuldades de conciliar os estudos com outras atividades cotidianas e necessidade de dedicar mais tempo e maior esforço para assimilação de conteúdos”. Além disso, docentes também citaram “sobrecarga de trabalho”, “baixa interação com estudantes em aulas síncronas (poucos ligam as câmeras ou fazem perguntas) e dificuldades para avaliar se os mesmos estão conseguindo acompanhar os conteúdos”.

    Por mais que muitas docentes se esforcem para promover discussão e debate nas disciplinas, desdobrando-se para estimular o engajamento e sofrendo com a sobrecarga de trabalho, ainda é muito difícil acompanhar as aulas. Quem está conseguindo, relata que as aulas não são as mesmas. Houve professor que já avisou que parte do conteúdo vai ser perdido, vai ficar para uma disciplina futura ou individualmente estudantes podem ir atrás. Mas garimpar, sozinha e sem orientação, textos, aulas, lives, é uma dedicação extenuante e sem garantia de bons resultados, ao contrário justamente do que promete a educação pública – com debate coletivo e acompanhamento especializado.

    Não é só o ensino que foi afetado: muitos comentários foram sobre as dificuldades da pesquisa nesse momento. Muitas/os pós-graduandas/os dependem fisicamente do espaço e do contato presencial com outras pessoas para fazer pesquisa. Há um risco considerável de que muitas de nós farão um mestrado inteiro de forma remota. Prazos preocupam: será possível conciliar o turbilhão de atividades do ensino remoto com as demandas de uma pesquisa igualmente prejudicada?

    Há riscos, de mais longo prazo, para a universidade e a educação públicas. Entre departamentos precarizados e a falta de professores, há o medo de que os vídeos gravados acabem tomando o lugar de docentes. Nacionalmente, as portarias federais 433 e 434 mostram que existe sim um interesse ativo do governo Bolsonaro em manter e expandir o ensino remoto, possibilitando um corte cada vez maior de verbas e inflando todo o setor que lucra com o avanço da educação à distância. No futuro, o resultado prático desse projeto de educação é turmas lotadas, aulas online para suprir a falta de professores, fechamento de campus menores, fim das políticas de assistência estudantil. Seria a real eternização de 2020 na educação pública.

    No encontro promovido pela APG, estavam várias estudantes de pós já exaustas das muitas horas em frente ao computador, sem muitas vezes um ambiente físico adequado, nem um merecido intervalo entre uma aula e outra reunião. A solidão foi um dos aspectos mais mencionados, numa dúvida coletiva se a dificuldade era individual. Sem a companhia de outras colegas, como antes na sala de aula ou pelos corredores da UFSC, há a demonstração de como a falta de socialização também mina nossa saúde mental. Porém, embora isto tudo atravesse questões de saúde mental, observamos que esse próprio tema precisa ser politizado. A reitoria parece ver “o fornecimento de apoio psicológico” como uma solução, sendo incapaz de admitir uma das causas: o modelo excludente e precário de ensino remoto, que não deve ser naturalizado ou, como fazem ambos governo federal e iniciativa privada, visto como oportunidade de cortar gastos e lucrar com nosso sofrimento, às custas de nossa formação e do nosso futuro.

    Como é possível que coordenadores/as façam uma “avaliação positiva” do que foi o ensino remoto na UFSC ao mesmo tempo em que reconhecem o desgaste, a solidão, a sobrecarga e a queda de qualidade? Isso só se explica se educar for o mesmo que tratar estudantes como máquinas, enchendo-os de tarefas que pouco têm a ver com o verdadeiro sentido de uma aula. Mas se há uma coisa que esse contexto pandêmico e de suspensão das atividades presenciais reforça para a pós-graduação, é que não é assim que as coisas funcionam. Tanto a compreensão de velhas ideias como a criação de novas exige debate, conversas, encontros, momentos de socialização. Nossos corpos precisam se mover, passar por outros ares, outros espaços. Com isso, a educação à distância, atomizada e muito dependente de recursos materiais particulares – muitas vezes escassos – jamais será verdadeiramente pública, muito menos de cunho popular. A luta, portanto, por uma universidade pública e compromissada com o povo oprimido, passa por uma rechaço a essa educação excludente, que não é excepcional, mas sim um projeto em curso.

    Precisamos juntas buscar saídas coletivas para mais esse semestre de ensino remoto que se avizinha. Lembrando sempre que não estamos sozinhas nas dificuldades de produzir, no cansaço ou nas crises de ansiedade, tudo isso é sintoma desse modelo. A APG-UFSC, na sua atual gestão “Assum Preto”, está comprometida em promover espaços de troca entre nossa categoria e convida a todos e todas para construir esse debate, bem como encontros que nos fortaleçam nessa luta. Precisamos nos colocar lado a lado por nossa saúde mental, pela qualidade da nossa formação acadêmica e por dias melhores para a educação pública.


  • Ações Afirmativas e o covid-19: desafios da permanência e produção de conhecimento na pandemia

    Publicado em 25/11/2020 às 19:20

    Começou hoje o III Seminário de Ações Afirmativas do Programa de Antropologia Social da UFSC. O PPGAS foi o primeiro programa a aderir à política de ações afirmativas na Universidade e, nos últimos anos, tem promovido seminários para discussão e avanço dessa política.

    Amanhã (26), às 15h30, a APG UFSC participa de uma das mesas, com o tema “A importância da consolidação das Ações Afirmativas na Pós-Graduação da UFSC”.

    Convidamos toda a comunidade a acompanhar os debates fundamentais que estão acontecendo!
    https://afirmativas.wixsite.com/eventoacppgasufsc


  • Assembleia aprova alongamento da gestão 2019-2020 “Assum Preto” por mais um ano; veja fala de abertura com avaliação e prestação de contas

    Publicado em 24/11/2020 às 9:40

    Na Assembleia Estudantil da Pós-Graduação desta noite (23/11), discentes se reuniram (através da plataforma WebConf, por conta da emergência sanitária provocada pela pandemia de covid-19) e aprovaram por unanimidade o seguinte encaminhamento: “Estender a atual gestão ‘Assum Preto’, eleita em 2019, para mais um ano de mandato (com término da gestão em 2021 no mês previsto em regimento)”. Confira abaixo a fala de abertura, que inclui uma avaliação da gestão e uma prestação de contas.

    Quando as coisas se aproximam do fim, mesmo que não definitivo, um sentimento nostálgico começa a se apossar de nós.

    Mas há mesmo algo pelo que sentir nostalgia? A pandemia de Covid-19 e o ensino remoto, o acúmulo de tarefas, todos os debates sobre os rumos da instituição, as vidas humanas que se perderam, as derrotas no âmbito político, social, ambiental, econômico e cultural com os avanços da extrema direita e o desmonte dos serviços públicos, entre outros problemas que enfrentamos neste período, como a onda de intervenções federais nas reitorias do país. Tudo isso pode nos dar a impressão de que estamos falando de uma década, de um longo prazo, mas foram apenas doze longos e atribulados meses. Cronos e Kairós estão em conflito.

    Apesar das derrotas e das dificuldades, tivemos luta, organização, movimento e conquistas pontuais que podem nos dar algum alento. Entre atritos e afetos, alegrias e frustações, sentimentos corriqueiros nas relações humanas e nos espaços em disputa, nossas articulações e ações, nossas lutas, foram muito enriquecedoras para quem compôs a gestão e para a pós-graduação como um todo, em nossa universidade e fora dela.

    Após reuniões de fechamento do ano e planejamento do próximo antes das férias, cobramos em janeiro o transporte adequado para a utilização do Restaurante Universitário (RU) do CCA. Em fevereiro, apoiamos a luta de TAEs pela jornada de 6 horas, posto que a reitoria havia decidido manter a Biblioteca Universitária (BU) aberta até apenas as 18 horas. Publicizamos um vídeo de entrevistas sobre o Hospital Universitário (HU) e sua importância para a população, feito ainda na greve de 2019, e atualizamos o Manual do(a) Pós-graduando(a), recurso importantíssimo para quem está chegando na pós-graduação da UFSC. Aliás, havíamos planejado uma grande semana de recepção de novos e novas discentes, mas parte das atividades tiveram de ser canceladas por conta da pandemia.

    Em resposta às novas e lamentáveis circunstâncias que a pandemia trouxe, buscamos entender a situação discente com um formulário (cujos resultados foram divulgados em abril). E antes mesmo que as respostas chegassem já estávamos divulgando iniciativas de apoio mútuo e compondo diretamente uma delas, a Frente Estudantil de Segurança Alimentícia (FESA). Defendemos o SUS como sempre, mas desta vez com ênfase em sua revelância como elemento estratégico de combate à pandemia.

    Dando continuidade à necessidade de responder à situação causada pela pandemia, que só fazia piorar em Santa Catarina e no Brasil, assinamos manifestos locais (link, link, link), estaduais e nacionais (link, link, link), apontando soluções. Dentro da tardia e burocrática estrutura institucional montada para analisar a situação na universidade, posicionamo-nos quanto às demandas específicas da pós-graduação e questionamos criticamente a apresentação dos dados de uma pesquisa conduzida pela universidade. Também cobramos a UFSC em relação à assistência a bolsistas no exterior, que estavam com dificuldade de retornar ao território nacional, tendo dado início a estágios e períodos de estudo em outros países logo antes da pandemia.

    Ao mesmo tempo em que nos adaptávamos a reuniões online, tivemos que lidar com uma notícia de cortes devastadores de bolsas da Capes. Seguimos acompanhando a situação ao longo de toda a gestão, promovendo inclusive um espaço aberto específico para discutir a questão na categoria.

    Mas não foi apenas a crescente e já esperada queda de investimento público na educação que nos preocupou nos últimos meses. O prejuízo para as condições de trabalho na pós-graduação exigia ações que garantissem a qualidade das pesquisas e a tranquilidade de pesquisadores/as, e assim defendemos a prorrogação de prazos e dos períodos de vigência de bolsas. Obtivemos alguns sucessos, mas particularmente em Santa Catarina a situação das bolsas segue preocupante. Fizemos uma grande mobilização em relação às bolsas fornecidas por entidades estaduais, bolsas FAPESC e UNIEDU. Apesar dos avanços em visibilidade e negociação no caso da FAPESC, a luta segue (link, link, link, link, link, link, link). Já no caso da UNIEDU, conseguimos uma grande vitória com a reabertura das solicitações de prorrogação.

    Para agravar a situação, e em parte devido a uma campanha de difamação midiática contra a universidade, os órgãos colegiados optaram por instaurar um regime de atividades letivas à distância, inclusive na pós-graduação. Tendo que enfrentar a truculência de apoiadores da inicativa na CPG e a passividade de uma reitoria pouco crítica, combativa ou criativa, nos envolvemos diretamente no debate público – inclusive chamando um debate online com a nossa própria categoria (link, link) – para formular nossa posição. Tentamos representar anseios da categoria sem deixar de lado os inúmeros problemas que identificamos no “ensino à distância”, tanto para docentes quanto para discentes, tanto para indivíduos quanto para a educação pública como um todo no Brasil. Assim, não nos posicionamos completamente contra as atividades remotas; defendemos a autonomia contextual dos programas, com base em diretrizes comuns básicas, visando utilizar a estrutura universitária para responder à crise sanitária sem deixar uma quantidade significativa de pessoas para trás em termos psicológicos ou educacionais, o que aprofundaria desigualdades: não podemos fingir que o grupo que mais saiu e continua saindo prejudicado não seja caracterizado por diversas opressões estruturais.

    Assim, ao lado de outras categorias e de outros movimentos da universidade, buscamos uma saída. Mesmo quando não houve correlação de forças para barrar o ensino remoto como um todo, buscamos reduzir seus danos (link, link), mas os órgãos colegiados, em várias oportunidades, não se mostraram solidários às demandas estudantis, chegando inclusive a atacar frontalmente a autonomia dos programas, ignomínia que manchará para sempre a Câmara de Pós-Graduação.

    Com a “boiada” do ERE aprovada, vimos um crescimento de “parcerias” com megacorporações digitais (como Google, Microsoft e Coursera), que buscam explorar economicamente nossos dados e aprofundar a vigilância sobre nós e nossas universidades públicas. Como lembramos, quando o produto é de graça, os usuários é que são os produtos. Esse “novo normal” impôs também cada vez mais problemas para uma categoria de pós-graduandos/as frequentemente negligenciada, os/as residentes; estivemos com eles/as em algumas oportunidades neste ano, buscando compreender suas pautas e fortalecer suas lutas.

    Em meio à desesperança, no entanto, uma boa notícia. Se ao longo destes meses tivemos alguns avanços em relação às ações afirmativas na pós-graduação da UFSC, a melhor delas veio no começo de outubro, com a culminação de uma pauta que a APG-UFSC vem defendendo há vários anos, através de várias gestões: finalmente uma política de ações afirmativas foi aprovada para toda a pós-graduação da nossa universidade (link, link, link). A luta segue, pois sabemos que é necessário avançar na abrangência das ações afirmativas, nas condições de permanência, na garantia de bolsas, no enfrentamento ao assédio e produtivismo, entre outros problemas estruturais de nossa pós-graduação. Ainda assim, este é um marco importantíssimo a se destacar.

    Por um lado, números costumam nos ajudar a ter noção das coisas. Chegamos ao fim da gestão com R$ 1193,92 em caixa. Ao todo fizemos 44 reuniões, apenas 5 das quais presenciais, e 2 de planejamento. Todas reuniões abertas, por princípio da gestão, embora tenhamos passado um período sem divulgá-las publicamente no início da pandemia, política que revimos como equivocada. Publicamos 7 boletins da gestão, trocamos mais de 700 e-mails, enviamos 32 ofícios e, bem, as mensagens em redes sociais são mais difíceis de contabilizar de uma forma que faça sentido…

    Mas essa é a questão: muita coisa nesses números não faz sentido, pois eles não representam a contento as centenas de horas dedicadas à construção de uma entidade combativa, ativa na defesa dos direitos da categoria. Não contamos entre as reuniões várias outras reuniões: com outras entidades na UFSC, na Comissão Unificada, na articulação que inauguramos com outras APGs do Brasil afora (agora chamada de APGs em Movimento); reuniões discentes locais com as quais colaboramos, entre representantes discentes de um centro, entre bolsistas FAPESC, bolsistas UNIEDU, residentes; as extenuantes reuniões de nossos representantes nos órgãos colegiados, em seus comitês, como os comitês de governança da pandemia… As próprias “lives” que organizamos, seja com outras entidades, seja com as APGs em Movimento mencionadas acima (link, link, link)… Precisamos inclusive nos solidarizar publicamente com um dos membros da gestão, o que demonstra a gravidade do momento que vivemos esse ano.

    Sabemos que não foi suficiente. Porém, o autoperdão às vezes é mais necessário que a autocrítica, ainda mais tendo em vista a combalida saúde mental de discentes na pós-graduação: tudo aquilo que havíamos planejamos era para uma gestão vívida e envolvida com os campi da UFSC, com movimentos que ocupam o espaço público com seus corpos e suas mentes. Assim, é compreensível que não tenhamos dado conta de avançar muitas coisas que constavam em nosso programa de gestão. Podemos citar, por exemplo: maior utilização do Centro de Convivência e atividades de integração; retomar a campanha contra o assédio; reformar o estatuto da entidade; formalizar parcerias para auxiliar discentes com questões jurídicas; descentralizar a gestão em termos de campi; ampliar bolsas emergenciais, garantir acesso à moradia estudantil e outras políticas de assistência estudantil; ampliar a acessibilidade nos programas; defender a participação de estudantes de programas lato sensu em instâncias deliberativas e consultas públicas; discutir a extensão na pós-graduação.

    As condições que dificultaram o foco em tudo isso são as mesmas que dificultam, em nossa avaliação, a realização de eleições para a entidade neste mês e ano. Assim, gostaríamos de encerrar a fala de abertura desta assembleia, que já serve como avaliação da gestão e prestação de contas, propondo um encaminhamento em relação à pauta única que a conjuntura nos impõe.

    A proposição da gestão Assum Preto, deliberada inclusive em uma reunião aberta com pauta única dedicada a isso, no dia 21 de outubro, é a de prolongar a gestão por mais um ano.

    A maior razão para esta proposta é a circunstância que nos obriga a fazer esta assembleia de modo virtual. Se houver competição eleitoral pela entidade, é preponderante que a votação seja presencial – em todos os campi. Isso não só seria problemático em relação às/aos discentes que estariam votando, mas também aos próprios deslocamentos de uma eventual comissão eleitoral com vistas a garantir a lisura do processo.

    Mas a questão vai muito além – no caso, vem muito antes – do momento do voto. Que a campanha como um todo ocorra neste momento seria algo extremamente empobrecedor tanto em termos de formação de chapas quanto em termos do debate público entre propostas.

    Assim, nossa proposta inicial é, a exemplo do que vêm fazendo várias entidades estudantis na UFSC e no Brasil, que a gestão seja alongada por um período, e sugerimos que seja mais um ano porque assim as próximas eleições seriam feitas em um período semelhante, e num momento em que há maior probabilidade de que as atividades presenciais já tenham retornado nos campi da UFSC. Esta é a proposta que submetemos à apreciação da categoria reunida hoje em assembleia.

    Ressaltamos também que nos comprometemos, caso a proposta seja aprovada, a realizar um momento futuro aberto de revisão de nosso programa e readequação das prioridades da gestão, acolhendo uma característica importante do processo realizado anualmente na formação de chapas e, também, reafirmando nossa intenção em acolher mais estudantes de pós na gestão da entidade. É apenas com avanço da organização estudantil, participação e luta que podemos cumprir nossa tarefa política no momento em que vivemos.


  • FAPESC enrola há mais de 06 meses para aceitar a prorrogação das bolsas

    Publicado em 23/11/2020 às 8:00

    Apresentamos, no texto abaixo, uma cronologia do processo de reivindicação pela prorrogação das bolsas de pós-graduação da FAPESC por motivo da pandemia. O enorme tempo decorrido sem respostas e o ritmo dos acontecimentos nos levam à impressão de que, infelizmente, a FAPESC vem enrolando tanto quanto possível uma solução que seria simples, traria resposta à aflição de centenas de pesquisadoras, e uma perspectiva concreta de pesquisas feitas com maior qualidade para nossa sociedade.

    • No dia 11 de maio, foi divulgado publicamente o grupo de whatsapp “Bolsistas FAPESC”, com link aberto. O chamado foi enviado para todas e todos os pós-graduandos da UFSC por email institucional, nas redes sociais da APG UFSC, e também por contatos individuais a bolsistas FAPESC de outras universidades. O grupo já foi criado com a intenção de mobilizar a reivindicação pela prorrogação das bolsas, que havia sido trazida por estudantes do PPG Ecologia da UFSC à APG UFSC.
    • No dia 12 de maio, foi publicado pela FAPESC o Comunicado n. 05/2020 que alega apenas que manterá o pagamento regular das bolsas, mas que pesquisadores que estão completamente impossibilitados de realizar sua pesquisa por conta da pandemia deveriam entrar em contato para que a bolsa fosse suspensa.
    • No dia 22 de maio, publicamos oficialmente nosso abaixo-assinado e carta de reivindicações, já com a assinatura e apoio de dezenas de Coordenações, entidades estudantis, acadêmicas e sindicais, além de centenas de estudantes de pós-graduação.
    • No dia 25 de maio, a FAPESC responde o email enviado pela APG com a exigência de um CNPJ ativo para que a demanda fosse avaliada, além de re-encaminhar o Comunicado n. 05 de 12 de maio.
    • No dia 10 de junho, a FAPESC responde novamente por email alegando que era necessário os dados de cartório e CNPJ da APG, mas apontando que a reivindicação já havia tramitado pela Diretoria de CTI, estava na mão da Procuradoria Jurídica e que iria, posteriomente, para análise da Direção Executiva da agência. Havia 19 dias desde o pedido pela possibilidade de prorrogação para todas e todos, ainda não atendida.
    • No dia 03 de julho, publicamos a segunda nota da Comissão de Bolsistas, denunciando a demora em mais de um mês para qualquer resposta a nossa reivindicação e a situação de incerteza que afetava negativamente nossas pesquisas. Havia 42 dias desde o pedido pela possibilidade de prorrogação para todas e todos, ainda não atendida.
    • No dia 07 de julho, por iniciativa da Comissão de Bolsistas, foi marcada uma reunião com a Presidência da FAPESC para a semana seguinte. Havia 46 dias desde o pedido pela possibilidade de prorrogação para todas e todos, ainda não atendida.
    • No dia 14 de julho, foi realizada a primeira reunião com a FAPESC, com participação da Comissão de Bolsistas, mais de 10 coordenadoras e coordenadores de PPGs, o presidente da FAPESC, Fábio Zabot Holthausen, e o Diretor de CTI, prof. Amauri Bogo. Na reunião, a FAPESC ofereceu a possibilidade de prorrogação das bolsas FAPESC através de pedidos individualizados, justificados e colocados na forma de uma demanda excepcional, desde que os pedidos sejam encaminhados em até 60 dias antes do término da vigência da Edital. A oferta não contemplava a reivindicação levada à reunião. A agência se comprometeu a publicar, em até uma semana, uma Nota Técnica direcionada aos Coordenadores dos PPGs e Bolsistas da UFSC, para esclarecer os trâmites para os pedidos. Havia 53 dias desde o pedido pela possibilidade de prorrogação para todas e todos, ainda não atendida.
    • No dia 10 de agosto, publicamos uma avaliação coletiva da reunião realizada com a Fapesc, dada a demora de 27 dias desde a promessa de que uma Nota Técnica sairia em uma semana. Nesta nota, já apontávamos que a oferta realizada pela FAPESC não atendia a reivindicação proposta. A prorrogação precisava ser um direito de todas e todos, com resposta em tempo hábil para reorganizar nossos planejamentos de pesquisa. Havia 80 dias desde o pedido pela possibilidade de prorrogação para todas e todos, ainda não atendida.
    • No dia 12 de agosto, foi publicado pela FAPESC o Comunicado n. 08/2020, que permite o pedido individual de prorrogação de bolsa por 03 meses, a ser realizado nos meses finais de 2021, quando serão analisados pela Diretoria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapesc.
    • No dia 18 de agosto, a Defensoria Pública de Santa Catarina, através do Grupo de Apoio às Pessoas em Vulnerabilidade (GAPV), emite a Recomendação n. 12/2020, que dita à FAPESC para que “PRORROGUEM as bolsas de pós- graduação referentes às chamadas públicas FAPESC No 03/2017 e FAPESC No 05/2019”. Foi dado um prazo de 10 dias após o qual o descumprimento “poderá ensejar a adoção das medidas judiciais cabíveis”.
    • No dia 21 de agosto, divulgamos novo texto da Comissão de Bolsistas, reforçando os pontos onde explicamos por que o Comunicado n. 08 da FAPESC falhava integralmente em atender a reivindicação pelo direito de prorrogação das bolsas, além de divulgar publicamente a Recomendação emitida pela Defensoria. Havia 91 dias desde o pedido pela possibilidade de prorrogação para todas e todos, ainda não atendida.
    • No dia 25 de agosto, se reinicia a conversa com a FAPESC através de ligações e conversas de whatsapp entre um representante da Comissão de Bolsistas e uma representante da FAPESC, com a proposta de facilitar a troca de informações e a negociação das demandas.
    • No dia 27 de agosto, foi realizada a reunião com a presença do Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da FAPESC, prof. Amauri Bogo, cerca de 15 coordenadoras e coordenadores de PPGs, um representante da APG UFSC e uma representante da Comissão de Bolsistas FAPESC. Na reunião, a FAPESC alegou que não havia recebido formalmente a Recomendação da Defensoria, apenas informalmente, e que portanto não iria responder o pedido. Acerca das reivindicações estudantis apresentadas, a FAPESC concedeu verbalmente a possibilidade de pedidos de prorrogação feitas antes da data prevista no Comunicado n. 08, porém se negou a registrar essa possibilidade oficialmente através de um novo Comunicado. Havia 97 dias desde o pedido pela possibilidade de prorrogação para todas e todos, ainda não atendida.
    • No mesmo dia 27 de agosto, a APG UFSC solicitou a gravação da reunião realizada, dado que o email de convite do prof. Amauri Bogo havia escrito que “A reunião será gravada e poderá ser disponibilizada a quem requisitar”. Nunca houve resposta formal ao pedido.
    • No dia 01 de setembro, após ligação da Defensoria à FAPESC, a agência informou que não tinham conhecimento da Recomendação emitida porque não sabiam quem estava administrando o email do protocolo. Com o reenvio da Recomendação, é confirmado o recebimento e reinicia o prazo de 10 dias para resposta. Já havia transcorrido 14 dias desde o primeiro envio da Recomendação. Havia 102 dias desde o pedido pela possibilidade de prorrogação para todas e todos, ainda não atendida.
    • No dia 04 de setembro, a representante da FAPESC informou que o envio do vídeo solicitado não seria realizado sem um pedido formal que reivindicasse a Lei de Acesso à Informação. Havia 105 dias desde o pedido pela possibilidade de prorrogação para todas e todos, ainda não atendida.
    • No dia 08 de setembro, a Comissão Ad Hoc FUMDES, que gerencia as bolsas de pós-graduação FUMDES/UNIEDU, também vinculadas ao Governo de Estado, decidiu pela reabertura da possibilidade de prorrogação de bolsas, analisadas caso a caso, por um período de até 06 meses. A informação foi divulgada por email às bolsistas FUMDES/UNIEDU em 23 de setembro.
    • No dia 11 de setembro, a FAPESC envia resposta à Defensoria Pública considerando imprópria a recomendação feita pela Defensoria e mantendo os termos do que está previsto no Comunicado n. 08.
    • No dia 23 de setembro, a Comissão de Bolsistas FAPESC participa do Jornal Integração, programa de rádio vinculado à Associação Catarinense de Rádios Comunitárias (Acracom), para divulgar e denunciar a situação do entrave com a FAPESC, que nega a possibilidade de prorrogação tal qual reivindicada.

    No dia 22 de novembro, ontem, completamos 06 meses (184 dias) desde o pedido pela possibilidade de prorrogação para todas e todos, ainda não atendida. Foram seis meses de enrolação por parte da FAPESC, seis meses de incerteza e abandono para cada pesquisador-bolsista de Santa Catarina para planejar o andamento de sua pesquisa e seus prazos. Seis meses em que a FAPESC ignorou o bom senso, a política adotada nacionalmente pelas outras agências e mesmo a recomendação da Defensoria Pública do Estado.

    A reivindicação segue viva, necessária e urgente! Bolsistas FAPESC precisam da prorrogação da bolsa para todas e todos que solicitarem, com resposta rápida, para permitir a reorganização de seus planejamentos de pesquisa. Bolsistas FAPESC querem produzir conhecimento com qualidade para o povo catarinense!

    Associação de Pós-Graduandas e Pós-Graduandos da UFSC,
    23 de novembro de 2020


  • Assembleia Estudantil: Eleições da APG (23/11, 18h)

    Publicado em 22/11/2020 às 17:06

    O prazo para o qual a gestão Assum Preto foi eleita, ano passado, está chegando ao fim. No final de outubro, já fizemos uma reunião aberta em que discutimos a possibilidade de estender a gestão até o ano que vem, considerando a situação da pandemia e a dificuldade de realizar eleições neste momento.

    O espaço para decidir é na Assembleia, onde todas e todos podem participar, oferecer suas propostas e decidirmos juntas. Ela vai acontecer amanhã (23), às 18h, de forma remota, e pode ser acessada aqui:

     


  • Como estão as bolsas no seu programa?

    Publicado em 18/11/2020 às 19:15

    Olá, Pos-Graduando/a!

    Com a intensificação dos cortes nas bolsas nos últimos anos e as mudanças nas políticas para ofertá-las por parte das agências de fomento, muitos estudantes estão ingressando em programas de pós-graduação com escassas bolsas, onde precisam se colocar em uma situação de concorrência com seus colegas e até mesmo correr o risco de passar todo seu período de formação como pesquisador/a sem nenhuma fonte de financiamento do seu trabalho.

    A APG entende que o primeiro passo para podermos enfrentar essa questão central na vida de todo pós-graduando/a é um diagnóstico da situação das bolsas nos programas da UFSC hoje. Infelizmente essas informações não se encontram disponíveis de forma centralizadas na Pró-Reitoria de Pós-Graduação, assim como os programas são inúmeros e não temos como realizar este levantamento sem a contribuição dos colegas que fazem parte do seu corpo.

    Por isso, contamos com a colaboração de todas e todos, principalmente das representações discentes, para que repassem as informações que possuem, ou que possam buscar junto às secretarias, sobre as bolsas em seus programas. Sua contribuição é muito importante para que esse diagnóstico seja o mais completo possível!

    Acesso o formulário para repassar essas informações.

    Vamos juntes! Financiamento da pesquisa é uma questão crucial para o desenvolvimento científico na universidade pública!


  • Como começou isso do Ensino Remoto na UFSC?

    Publicado em 13/11/2020 às 19:59

    A UFSC decidiu que não irá fazer nenhuma atividade presencial até 22 de maio de 2021, o que indica para nós a escolha da reitoria em permanecer por mais tempo do que o esperado com o ER. Nós sentimos necessidade de avaliar e debater o que tudo isso significa. Mas….

    Como começou isso do Ensino Remoto na UFSC?

    Em março de 2020, tivemos a suspensão das atividades presenciais na UFSC por conta da pandemia de COVID-19, segundo portarias emitidas pelo Gabinete da Reitoria (nº 352/2020/GR e nº 353/2020/GR). A UFSC ficou vazia de repente, na cidade só podia se andar de máscara e demoramos muito tempo para compreender como ficariam as nossas atividades em sala de aula ou nossas pesquisas. Demora que foi atenuada pela falta de respostas e diálogo por parte da Reitoria da UFSC, que por mais que tenha acertado na suspensão das atividades presenciais, errou na ausência, logo de início, de espaços de discussão entre todas as categorias de nossa comunidade. Afinal, o destino de uma Universidade Pública em um momento de pandemia precisa ser decidido por aqueles que se preocupam com a produção crítica de conhecimento, e não por setores ligados aos capitais.

    Foram semanas de cobrança por uma sessão do Conselho Universitário (CUn), instância ainda longe de ser uma representação da democracia participativa dentro de nossa universidade, mas um dos únicos espaços colegiados com a presença de todas as categorias e capaz de decidir na presença de opiniões divergentes àquela da administração central, mesmo que em proporção minoritária no caso de estudantes e servidores técnicos.

    Em maio se constituiu o Comitê de Combate à Pandemia de COVID-19 na UFSC, por meio da Portaria Nº 360/2020/GR, articulado através de um Comitê Assessor e subcomitês Acadêmico, de Assistência Estudantil, Científico, de Comunicação e de Infraestrutura. A APG esteve presente no Comitê Assessor, no Subcomitê Acadêmico e também no comitê que centralizava os debates – inicialmente sem representação das entidades de classe (APG, DCE e SINTUFSC). Mais um momento de indisposição em abrir às decisões à comunidade, em que apenas a mobilização das categorias reverteu a formação inicial restrita do Comitê, assim como a inicial ausência de centros como CED e CFH nos subcomitês criados.

    O trabalho dos subcomitês, assim como a pauta de debates dentro do movimento estudantil e sindical, foi traçado em torno do retorno ou não das atividades de ensino por via remota, proposta à qual a APG UFSC sempre se colocou contrária. A Câmara de Pós-Graduação (CPG) tentou, inclusive, se aproveitar do tempo de discussão na comunidade, para passar a boiada do ensino remoto e enfiar na goela de estudantes de pós um ensino remoto sem o menor debate nos programas. A adesão ao ensino remoto só foi formalizada em 21 de julho, após mais de 20h de sessão do CUn e uma votação pra lá de secreta no início da aprovação da Resolução 140/2020. Sem que a votação simbólica costumeira das reuniões presenciais, em que é possível acompanhar a manifestação do voto de cada conselheira ou conselheiro, grande parte dos professores se aproveitaram da tranquilidade do anonimato e votaram contra os interesses de estudantes, sobretudo das pobres e periféricas, culminando em uma resolução excludente.

    Desde julho, vivemos um semestre remoto, balizado pela Resolução nº 140 e todo seu histórico de construção. Estamos vivendo a materialidade das escolhas feitas nesse processo de debate e implementação do ensino remoto. Vimos a autonomia dos programas que escolheram não oferecer as disciplinas obrigatórias, PPGE e PPGECT através de seus colegiados, serem desrespeitadas e no caso do PPGECT invalidadas pela CPG após recurso vergonhoso protocolado pelo Professor Carlos Alberto Marques, o Bebeto. Já vimos também demonstrações do avanço das grandes corporações e do setor vinculado a essas tecnologias, principalmente no enraizamento dessa modalidade com um legado que ficará dessa experiência, como discutimos no texto anterior. Olhar para essa história recente nos dá uma amostra das lutas que enfrentaremos nos próximos tempos, especialmente após as portarias da reitoria indicando que não haverá retorno presencial antes de maio do ano que vem. Essa história também nos mostra que precisamos nos preparar para essas batalhas, visto que essa conjuntura nos apresentou um inimigo antigo e muito bem articulado dentro da UFSC.

    Convidamos todas e todos para discutir, a partir de todo esse histórico, como está sendo a experiência de nós, pós-graduandas e pós-graduandos, com o ensino remoto. Nosso encontro será no dia 17 de novembro às 19h, no link que logo estará disponível para todas. Perde não, porque precisamos juntas e juntos avaliar o momento que estamos vivendo e nos organizar para o que ainda virá!