Associação de Pós-Graduandos da UFSC
  • POR QUE A APG DEFENDE A DISCUSSÃO DA RN 095? OU QUEM TEM MEDO DE DEBATE AMPLIADO?

    Publicado em 07/07/2021 às 19:36

    No último Conselho Universitário (CUn), que aconteceu no dia 29 de junho, foram à pauta duas Resoluções Normativas que tratam do funcionamento da pós-graduação na UFSC. São as resoluções 015 e 095. A Reitoria da UFSC quer reformar toda a Pós-Graduação da UFSC sem permitir um amplo debate com a comunidade universitária! O reitor Ubaldo e a pró-reitora Cristiane Derani têm tentado aprovar as mudanças como um trator, sem que estudantes, professores, técnicos em cada programa possam avaliar as propostas, discutir e se posicionar. Por que a reitoria tem medo do debate?

    Destacamos as principais mudanças no texto publicado no dia 25 de junho escrito a partir de uma reunião da nossa entidade em que debatemos com mais de 80 estudantes as resoluções e avaliamos coletivamente que suas mudanças são extremamente deletérias aos Programas de Pós-Graduação. Defendemos que, frente às modificações tão substanciais na pós-graduação, o mínimo que deve acontecer é ampliar os debates. Queremos discutir nesse texto as razões para ampliar o debate da proposta de resolução normativa 095 e apresentar nossa avaliação acerca da forma como o Conselho Universitário tratou essa questão na sua última reunião. Não trataremos, por ora, do debate sobre a resolução 015, uma vez que a mesma foi tirada de pauta e adiada a discussão no próprio Conselho Universitário (Cun).

    Logo no início da reunião do Cun do dia 29/06, as conselheiras Amanda e Mariana, representantes da APG no CUn, apresentaram um pedido para que fossem retiradas ambas as resoluções de pauta. Uma vez que entendemos que o que vem sendo apresentado é uma reforma totalizante da pós-graduação, as quais todos os programas terão que se adequar no próximo período. Além de que esse debate não se deu fora das instâncias da reitoria, a saber, do próprio CUn e da Câmara de Pós-Graduação e suas comissões. Ou seja, a esmagadora maioria dos estudantes e professores de pós-graduação sequer tem conhecimento sobre a natureza das resoluções propostas.

    Confira as falas de nossas representantes no Cun:

    Fala da Amanda sobre o pedido de retirada das pautas 
    Fala da Mariana sobre o pedido de retirada das pautas

    A proposta de resolução RN 095 voltará a ser discutida na próxima reunião do CUn, ainda sem data definida, mas deve acontecer antes do final do mês de julho. Nossa defesa tem sido pela ampliação do debate sobre essa resolução, pois ela muda completamente o sentido da pós-graduação que temos atualmente, ao encurtar o tempo para a formação e com a disjunção do mestrado e doutorado. As pressões são cada vez maiores para transformar a passagem pela pós-graduação em enlatada e fragmentada, sendo que sabemos que essa é uma experiência que leva seu tempo de apreensão intelectual – que, diga-se de passagem, já é curto e nem sempre foi como conhecemos hoje, muitos de nossos professores fizeram suas pós-graduações com muito mais tempo do que dois anos para o mestrado e quatro anos para o doutorado. A formação de professores e pesquisadores precisa ser densa e sólida e por isso necessita de tempo, infraestrutura e dedicação!

    Além de trazer uma mudança que altera o caráter da pós, as modificações na resolução também versam sobre assimilar o meio virtual como espaço de deliberações importantes, como é o caso da implementação das reuniões online mesmo após o fim da pandemia, sem maiores discussões com sua comunidade. Em um modelo onde as discussões são cada vez mais reduzidas e decisões forçosamente tomadas às pressas. Consolidada a alteração, vai resultar em mais dificuldades para mobilizar a comunidade universitária em torno de uma pauta comum, é de interesse dos estudantes que as reuniões sejam abertas, presenciais e verdadeiramente acessíveis! 

    Na última reunião do CUn, após pedirmos a retirada de pauta de ambas resoluções, o que se seguiu foram falas de muitos conselheiros com alegações falsas de que estavam sendo confundidas as resoluções 095 e 015, e que só a 015 traria problemas para pós-graduação por causa que nela há proposição de cursos pagos, parece que para alguns é aceitável qualquer alteração que seja na pós-graduação, contando que mantenha a gratuidade, mas para nós tudo que altera a qualidade, encurta, sucateia a pós-graduação é imprescindível! Além disso, muitos conselheiros  defenderam a necessidade de aprovar logo as referidas reformas já que estavam tramitando há um certo tempo. Mesmo com a defesa de que era necessário um processo de debate verdadeiramente democrático que envolvesse estudantes, professores e técnicos, os quais são os mais imediatamente atingidos, parte dos conselheiros continuou negando constantemente essa demanda e afirmando que os debates nas instâncias superiores bastavam para um processo democrático, uma vez que são públicos. 

    Ao mesmo tempo, inclusive, foram feitas alegações por parte da própria pró-reitora de pós-graduação, professora Cristiane Derani,  de que o Cun não seria o espaço para discutir politicamente a pauta, mas sim uma instância encaminhativa e burocrática de adequação técnica. Segundo os defensores da aprovação das Resoluções Normativas, por se tratar de uma mera questão técnica e por já estar tramitando há algum tempo, não haveria necessidade de ampliar o debate para o restante da comunidade universitária. 

    Nada mais falso e contraditório à própria Universidade, essa posição é contrária ao exercício crítico que compete às universidades públicas. Esse Conselho não deveria se ocupar de passar todas as demandas que a este chegam, mas fazer as discussões necessárias com todas as questões que tocam a política desta instituição. Medidas que deixam consequências danosas para as pesquisas devem ser sempre combatidas, ainda que venham de recomendações de órgãos como CAPES ou STF. O exercício da autonomia universitária é o de poder colocar tudo sobre análise e crítica.

    Enquanto isso, a comunidade universitária se manifestava no chat no canal do conselho. Uma manifestação importante, mas que muitos conselheiros se sentiram à vontade para ignorar a movimentação. Não fosse a pandemia e esse conselho estivesse acontecendo presencialmente, nós não temos dúvidas de que aqueles que ali estavam lotando as mensagens do chat estariam na porta do conselho fazendo o mesmo pedido, suas vozes teriam ganhado mais força  e não seriam facilmente desconsideradas.

    Fala da Conselheira Amanda sobre a importância do debate democrático e a autonomia universitária

    Ao final das falas que defendiam a retirada ou a manutenção da pauta, o pedido da APG de retirar as duas resoluções foi rapidamente tratorado: separaram a votação das duas resoluções para votação da retirada ou não das pautas. Com as votações, decidiu-se que se retiraria da pauta a resolução 015 e manteria a resolução 095 (por uma diferença de dois votos apenas). 

    Ainda a pró-reitoria de pós-graduação tentou colocar o pedido como urgência, o que obrigaria o Conselho Universitário concluir a debater e deliberar naquele mesmo dia. O pedido não foi acatado pela maioria dos conselheiros e a entidade decidiu pedir vistas do processo, tanto para apresentar a nossa posição quanto para permitir que a comunidade ganhe tempo para debater essa mudança tão séria. Nosso esforço tem sido de fazer o debate chegar ao maior número de pessoas na Universidade e nos chama atenção o atropelo com que essa discussão tem se dado e deixando algumas questões: 

    Por que tanta pressa da pró-reitoria de pós-graduação em ter que votar essa resolução naquele mesmo dia, o primeiro dia em que os conselheiros iriam debater a questão da reforma na pós-graduação? Por que a insistência de argumentar que o Conselho Universitário, instância máxima de decisão da universidade, não deveria basear suas decisões para além de questões formais e técnicas? Quem e por que tem medo de debater suas propostas para a Universidade fora dos espaços institucionais e restrito a poucos representantes? E diga-se de passagem, em que estudantes são minoria!  Não teriam os próprios programas de pós-graduação, seu quadro técnico, seus professores e seus estudantes nada a dizer sobre essas resoluções?  

     

    Convidamos todas e todos a participarem das reuniões de nossa entidade para construir conosco este e outros debates. Venha lutar com a gente!


  • Sobre a vacinação na pós-graduação

    Publicado em 05/07/2021 às 18:14

    Alguns estudantes entraram em contato com a APG com a demanda de conseguirem se vacinar contra COVID-19. São pós-graduandos que estão fazendo atividades presenciais na universidade e estudantes que precisam concluir suas bolsas sanduíches em outros países. Ao solicitar individualmente aos programas de Pós-Graduação e na Reitoria declaração para vacinação, entendendo que estudantes de pós-graduação se encaixam dentro dos critérios para vacina da área da educação, diversos estudantes vêm tendo suas solicitações negadas, enquanto alguns conseguem os documentos em suas coordenações. 

    A partir disso, a APG colocou a questão da vacinação na pós-graduação como uma das pautas da reunião ordinária. Fomos surpreendidas com uma reunião com mais de 60 pessoas. Nela, diversos estudantes se manifestaram expondo sua opinião e foi debatido qual encaminhamento seria tirado.

    A discussão girou um pouco em torno de como os critérios para vacinação tem sido extremamente problemáticos, para além da escassez de vacinas. Pois muitos trabalhadores envolvidos em atividades essenciais têm ficado em último lugar na fila das vacinas. Assim se ficou em dúvida sobre como se poderia lidar com a questão, pois uma vez que o critério de vacina foi liberado, não se deveriam adotar sub critérios subjetivos para dar conta ou não da problemática.

    Estudantes também identificaram outras discrepâncias nos critérios que vêm sendo adotados, como a emissão de declaração para professores visitantes. Vários estudantes trouxeram relatos sobre outras universidades em que vêm sendo liberado declaração para permitir que bolsistas de pós-graduação sejam vacinados, como a FURB, a UDESC, UFRJ, UEL, UFJF, entre outras.

    O encaminhamento ficou nos seguintes termos: verificar porque a reitoria não está liberando declaração de vacina para estudantes da pós, para saber como pressionar para que tenha vacina para todos os estudantes. Foi deliberado como primeiro passo para tal, o envio de um ofício à reitoria solicitando a emissão de declarações de vacinas para a Pós-Graduação.

    Esse ofício foi enviado, contendo os principais argumentos discutidos na reunião e recebemos uma resposta negativa da reitoria, que argumenta que os pós-graduandos não estão incluídos nos critérios de Santa Catarina para vacinação. Desta forma, o assunto entrará novamente na pauta da reunião ordinária da APG, a ser realizada na quarta-feira, dia 7/7, às 12h. Convidamos todos e todas que quiserem fazer parte dessa discussão a comparecer.

    Clique abaixo para acessar o ofício enviado pela APG e o ofício-resposta da reitoria:

    Oficio_2021_07-_vacinacao_na_pos_(1)_assinado

    OFICIO_N°_242.2021.GR_assinado


  • Debate: Por que devemos lutar pelo Fora Bolsonaro e pela pesquisa brasileira?

    Publicado em 01/07/2021 às 19:03

    A articulação por bolsas da Associação de Pós-Graduandos da UFSC convida a toda a universidade a acompanhar e participar da mesa de debate “Por que lutar pelo Fora Bolsonaro e pela pesquisa brasileira?”

    Desde abril a APG-UFSC vem articulando reuniões amplas com a base para discutir a problemática das bolsas e do financiamento da pesquisa no Brasil. Essas reuniões têm demonstrado a necessidade de enfrentar essas questões com força e radicalidade. Por esse motivo, este evento foi pensado como forma de ampliar e aprofundar a discussão sobre fomento à pesquisa no Brasil, bem como massificar este debate com a universidade e a comunidade em geral. Desde quando começam os cortes no financiamento à pesquisa? Qual o papel de agências como a CAPES na gerência das universidades públicas? Qual a relação entre crise orçamentária e ensino remoto? Como as novas resoluções normativas apresentadas na última sessão do Conselho Universitário se relacionam com o debate da pesquisa no Brasil? Por que o enfrentamento ao governo Bolsonaro precisa ser também uma luta pela universidade e pelos recursos para as pesquisas?

    Essas e outras questões serão tratadas por nossos convidados, Allan Kenji Seki (GIPE-MARX/UFSC) e Artur Gomes (UFRJ).

    Lembramos que após a exposição dos participantes, algumas perguntas do público serão lidas. Por isso, participe! Leve seus questionamentos para este espaço!

    Sobre os participantes

    Artur Gomes: Licenciado em Educação Física e Mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina. Fez intercâmbio acadêmico pelo programa escala estudantil da AUGM no ano de 2012 na Universidad de la Republica. Atuou como agente técnico pedagógico na Secretaria de Educação e Cultura do município de Balneário Rincão, exercendo a função de coordenador da equipe técnica de elaboração do Plano Municipal de Educação. Membro do Grupo de Investigação sobre Política Educacional (GIPE-Marx).

    Allan Kenji: Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2011), mestrado em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (2014) e doutorado em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (2020). Atualmente é pesquisador do Grupo de Investigação sobre Política Educacional (GIPE-MARX). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Superior, atuando principalmente nos seguintes temas: educação superior, política educacional, universidade, políticas públicas em educação e formação de professores.

    O quê? Debate “Por que devemos lutar pelo Fora Bolsonaro e pela pesquisa brasileira?”

    Quando? Terça-feira (06/07) às 18:30

    Onde? Canal do youtube da APG/UFSC

    Confirme sua presença no evento do Facebook e compartilhe no Instagram para ajudar a divulgar o debate!


  • Repasse reunião ordinária do dia 21 de Junho de 2021

    Publicado em 01/07/2021 às 16:54

    No dia 21 de Junho, ocorreu reunião ordinária da APG com dois assuntos de extrema relevância: mudanças nas resoluções 015 e 095 da Pós-Graduação e vacinação de pós-graduandos. Por isso, disponibilizamos um pequeno relato do debate e dos encaminhamentos realizados durante a reunião, para que toda a Pós-Graduação possa ter ciência das deliberações realizadas nesta importante reunião.

    Os principais encaminhamentos sobre as duas pautas foram:

    • Resoluções Pós: pressão dos Conselheiros Universitários pelo adiamento da votação das resoluções e retorno das propostas para debate nos Programas.
    • Vacinação: verificação do porquê estão sendo liberadas declarações para apenas alguns estudantes de Pós-Graduação para vacinação e posicionamento pela liberação de declarações para toda a Pós, uma vez que o entendimento é de que os critérios da prefeitura abarcam estes estudantes.

    Confira o relato mais completo da reunião clicando abaixo:

    Relatoria Reunião Ordinária 21/06/21


  • Você sabia que duas resoluções que alteram profundamente a pós-graduação da UFSC estão em discussão no Conselho Universitário?

    Publicado em 25/06/2021 às 12:39

    Se você é estudante da pós-graduação e ainda não escutou as discussões sobre as Resoluções Normativas 015 e 095, a culpa não é sua. Apesar da gravidade destas, praticamente não se tem falado sobre seus impactos. Muitos membros dos colegiados de pós-graduação, centros de ensino e programas sequer estão sabendo que há esta alteração em curso. Por isso, a Associação de Pós-Graduandos da UFSC está circulando este texto. Pedimos a todas e todos que leiam com bastante atenção e se somem na luta contra a aprovação dessas resoluções normativas.

    A Resolução Normativa 095 (Número do processo para consulta no SPA/UFSC: Processo  23080.030524/2019-04) altera a principal resolução que rege a pós-graduação stricto sensu na UFSC. 

    Uma das questões apresentadas é a de alteração do caráter do mestrado e doutorado. As mudanças apontam no sentido de facilitar o “upgrade” do primeiro para o segundo, encurtando o tempo de formação. Ainda que o cenário deixe muitos pesquisadores aflitos para terminar suas pesquisas, essa facilitação pode significar a perda do caráter intelectual desses anos de formação no mestrado e doutorado. O tempo da pesquisa é também o tempo de formação dos pesquisadores. Há uma tendência – já consolidada em outros países – de que o mestrado e o doutorado sejam autônomos. Nestes países, o primeiro seria destinado para aqueles que pretendem ser professores, ao passo que o segundo, para a carreira da pesquisa. Dessa forma desintegra-se o papel do professor-pesquisador, trazendo prejuízos para toda a universidade.

    Além disso, a resolução abre margem para que cursos de pós-graduação sejam ofertados fora da sede dos programas. Isso pode significar que alguns programas estabeleçam parcerias com empresas privadas, aproximando a formação de pesquisadores das demandas do mercado de trabalho. Chama atenção que essa possibilidade é ventilada justamente quando as universidades estão atravessando uma crise orçamentária. 

    A resolução também apresenta a possibilidade de ampliação das reuniões online mesmo após o fim da pandemia, incorporando a possibilidade de discentes participarem das reuniões via tecnologias online. Na prática, essa normativa institucionaliza o modelo remoto de reuniões, no qual o caráter e a ampliação dos debates ficam extremamente comprometidos. Temos visto como tem sido mais difícil, dada essa condição, produzir discussões mais densas ou ainda mobilizar a comunidade universitária em torno de uma pauta comum. Por isso, se aprovação desta proposta deixaria marcas profundas na forma como a qual a universidade irá funcionar após o fim da pandemia. 

    A Resolução Normativa N.º 15/CUn/2011 (Número do processo para consulta no SPA/UFSC: 23080.018994/2019-91) dispõe alterações na pós-graduação lato sensu. A instituição do modelo semipresencial de ensino na pós-graduação traz para a universidade a possibilidade de inserção do modelo híbrido de ensino, no qual seriam mescladas as presenças físicas e a modalidade remota. Com a experiência do modelo de Ensino Remoto, vivenciamos cotidianamente a precarização e simplificação de currículos, não só por conta da impossibilidade de realizar atividades práticas neste meio, mas com as aulas teóricas prejudicadas com o esvaziamento dos debates em sala. Isso nos alerta para os limites de uma formação remota. A proposta apresentada agora nesta resolução compactua com um modelo proposto pelo capital para a ampliação de suas tecnologias educativas sob bandeiras de “modernização”, mas que nada mais é que uma fragmentação da formação.  A tentativa de dissociar a prática da teoria é uma falácia conveniente, já que ambas as atividades se alimentam, constroem e nascem de um exercício crítico e não da mera reprodução. Ao trocar o trabalho docente por inserção de tecnologias ou de vídeos gravados, deixando o espaço presencial apenas para a parte chamada de “prática”, a experiência da educação passa a ser mera massificação, com repetições de conteúdos ao invés de avanços em debates críticos.

    Com a regulamentação na resolução do doutorado profissional e da possibilidade de entrega de outro texto no lugar da tese, como compilados de artigos, fica explícito o teor danoso para a formação intelectual na pós-graduação. A saída de regulamentar o que hoje já está presente na universidade, aproxima um campo que deveria estar voltado para o avanço das áreas de produção de ciência, arte e filosofia para o atendimento de demandas profissionais, respondendo às exigências imediatas do mercado. A complexidade do processo de formação universitária exigida para quem entra no doutorado requer uma trajetória intelectual. Esta irá ser traduzida no desenvolvimento de uma hipótese própria para a escrita da tese. Para isso, é necessário um tempo para a compreensão e elaboração de tais estudos. 

    Além disso, consolida a abertura de suas portas ao modelos privatistas de universidade, ao instituir a cobranças de mensalidade para pós-graduação lato sensu. Com os cortes cada vez mais devastadores no orçamento universitário e problemas de financiamento nas pesquisas, a volta da proposta de cobrança em especializações dentro da Universidade Pública é ultrajante, pois abre brecha para que cada vez mais assimilemos essa lógica e esta se expanda para o restante da pós-graduação e universidade como um todo. Até quando poderemos chamar a universidade de pública quando vemos cada vez mais seus espaços pautados pelo capital, por parcerias e convênios como se fossem a única saída para o problema orçamentário que temos enfrentado?  

    Ambas as resoluções generalizam e institucionalizam diversas políticas extremamente deletérias para a pós-graduação. Estas discussões não podem ficar ocultas à comunidade universitária. Caso isso ocorra, as mudanças só serão percebidas ao serem pouco a pouco assimiladas no cotidiano, naturalizando práticas extremamente danosas. Por isso, é fundamental que essa discussão seja realizada nos programas. Também achamos pertinente acompanhar a próxima sessão do Conselho Universitária, na qual provavelmente será discutido sobre o tema.

    Convidamos os pós-graduandos a manifestarem sua indignação no chat da transmissão online e pressionarem os Conselheiros por e-mail pedindo a ampliação dos debates das duas resoluções e a adiarem a votação. A lista com os e-mails dos membros do Conselho encontra-se logo abaixo.  

    A APG irá divulgar diversos materiais sobre o tema em nossas redes, acompanhe!

    Some-se nessa luta com a gente!

     

    Lista com o e-mail dos Conselheiros: 

    ubalth@gmail.com.br

    ubaldo.cesar@ufsc.br

    catia.carvalho@ufsc.br

    aureo.moraes@ufsc.br

    raquel.p@ufsc.br

    daniel.s.vasconcelos@ufsc.br

    tereza.cristina@ufsc.br

    cristiane.derani@ufsc.br

    sr.soares@ufsc.br

    maique.biavatti@ufsc.br

    rogerio@inf.ufsc.br

    rogerio.bastos@ufsc.br

    graziela.canto@ufsc.br

    rosete.pescador@ufsc.br

    marlene.grade@ufsc.br

    carmen.muller@ufsc.br

    t.montagna@ufsc.br

    alexandre.verzani@ufsc.br

    cristine.bressan@ufsc.br

    oscar.bruna.romero@ufsc.br

    claudia.nedel@ufsc.br

    f.lopes@ufsc.br

    marianne.stumpf@ufsc.br

    salomao@cce.ufsc.br

    salodesigner@gmail.com

    marie.helene.torres@ufsc.br

    marie.helene.torres@gmail.com

    michel.saad@ufsc.br

    cintia.freitas@ufsc.br

    cintiadelarocha@gmail.com

    j.dalpupo@ufsc.br

    tiago.turnes@ufsc.br

    alberto.brunetta@ufsc.br

    aabrunetta@gmail.com

    roseli.cerny@ufsc.br

    m.hartung@ufsc.br

    diretor.cfh@contato.ufsc.br

    jacques.mick@ufsc.br

    carlos.vieira@ufsc.br

    paulo.pinheiro.machado@ufsc.br

    nilton.branco@ufsc.br

    luiz.madureira@ufsc.br

    tatiane.maranhao@ufsc.br

    santiago.yunes@ufsc.br

    jipilati@matrix.com.br

    jose.isaac.pilati@ufsc.br

    samuelmattos346@gmail.com

    claudio.macedo@ufsc.br

    clauruas@gmail.com

    grazielly.baggenstoss@ufsc.br

    grazyab@gmail.com

    fabricio.souza.neves@gmail.com

    fabricio.souza.neves@ufsc.br

    ricardo.magini@ufsc.br

    celso.spada@ufsc.br

    jeferson.rodrigues@ufsc.br

    irineu.manoel@ufsc.br

    denize_casagrande@yahoo.com.br

    denize.casagrande@ufsc.br

    pedro.inpeau@gmail.com

    pedro.melo@ufsc.br

    maria.c@ufsc.br

    edson@das.ufsc.br

    edson.pieri@ufsc.br

    sergio.peters@ufsc.br

    g.varvakis@ufsc.br

    sergio.gargioni@ufsc.br

    eugenio.simao@gmail.com

    eugenio.simao@ufsc.br

    anderson.perez@ufsc.br

    gisele.lovatel@ufsc.br

    gilovatel@gmail.com

    matheus.acosta@ufsc.br

    acostadallmann@gmail.com

    martins.j@ufsc.br

    direcao.blumenau@contato.ufsc.br

    jlmartins.fln@gmail.com

    adriano.peres@ufsc.br

    l.r.santos@ufsc.br

    marilise.reis@ufsc.br

    juliano.wendt@ufsc.br

    alexandre.tavela@ufsc.br

    joni.stolberg@ufsc.br

    vladimir.araujo@ufsc.br

    diego.greff@ufsc.br

    elisete.zagheni@ufsc.br

    rafael.delatorre@ufsc.br

    e.carli@ufsc.br

    malcon.martinez@ufsc.br

    raphas82@gmail.com

    correa.j@ufsc.br

    wendell.farias@ufsc.br

    ivan.bechtold@ufsc.br

    ricardo.moraes@ufsc.br

    glauber.wagner@ufsc.br

    eduardo.luiz@ufsc.br

    luiz.alberton@ufsc.br

    amurabi_cs@hotmail.com

    eliane.nascimento@ufsc.br

    f.gurgel@ufsc.br

    ricardo.dantas@ufsc.br

    sensslin@gmail.com

    sandra.ensslin@ufsc.br

    gustavo.js@ufsc.br

    roberto.willrich@ufsc.br

    gilberto.andrade@ufsc.br

    dilceane.carraro@ufsc.br

    monica.santos@ufsc.br

    carla.derech@ufsc.br

    valeria.bennack@ufsc.br

    sandra.regina@ufsc.br

    sandrareginacarrieri@gmail.com

    vanessah_23@hotmail.com

    eduardo.garcia@ufsc.br

    tiago.pasito@ufsc.br

    iclicia.viana@ufsc.br

    ronaldo.barbosa@ufsc.br

    karina.beirao@ufsc.br

    karine.kerr@ufsc.br

    micael.salton@ufsc.br

    antonio.marcos@ufsc.br

    humberto.martins@ufsc.br

    lucas.pereira@ufsc.br

    gustavo.tonini@ufsc.br

    camillaferreira87@gmail.com

    camilla.f@ufsc.br

    sergio.leandro@ufsc.br

    rodrigocoelho.emc@gmail.com

    lucas.cvoltolini@gmail.com

    taylanapi@hotmail.com

    vic.garcia.castro@gmail.com,

    caue.bs@grad.ufsc.br

    andrey14santiago@gmail.com

    arielysuptitz@hotmail.com

    lucasdepazin@gmail.com

    fianzerm@gmail.com

    vicscabora@gmail.com

    victor.gdeoliveira@gmail.com

    paolacfvilla@gmail.com,

    gg.ayala@gmail.com

    amandaaalexandroni@gmail.com

    f.muller@ufsc.br

    ingridbragagnolo@gmail.com


  • Repasse da reunião de articulação da Pós-Graduação por bolsas (24/05)

    Publicado em 22/06/2021 às 21:29

    Após a intervenção realizada no dia 15/05, os pós-graduandos debateram sobre este ser um primeiro momento de dar visibilidade física para a questão das bolsas na pós-graduação e dos cortes na Universidade.

    Além disso, também foi reforçada a participação no ato do dia 29/05, para somar na pauta da educação conjuntamente ao chamado principal.

    Foi avaliada na reunião a necessidade de fazer caminhar tarefas nos GTs de levantamento e agitação, como a divulgação dos dados do formulário respondido pelos estudantes de pós sobre a falta de bolsas e vídeos de relatos de estudantes dos programas em que estamos inseridos sobre como os cortes estão prejudicando nossa formação como pesquisadores e fazer contato com os programas nos quais ainda não estamos inseridos.

    As tarefas têm o sentido de ajudar a criar um clima de mobilização e organização que parta desde os programas, para que possamos nos fortalecer e ter como horizonte alguma ação efetivamente incisiva, que coloque em questão o fato de seguirmos produzindo sem verbas, como por exemplo, paralisações de atividades.

    Acompanhe os relatos divulgados pelo instagram da entidade:

    https://www.instagram.com/apgufsc/


  • Repasse da terceira reunião da articulação de pós-graduandos na luta por bolsas na UFSC: ato do dia 15/05

    Publicado em 10/06/2021 às 18:13

    Na terceira reunião do grupo de pós-graduandos realizada dia 29/04, às 19h, foram feitos repasses sobre os trabalhos dos três GTS em atividade: de levantamento de dados, manifesto e agitação.

    Os discentes discutiram sobre começar a conversar com os colegas dos programas, de produzir articulações e ações nos programas em que estamos presentes.

    Desta reunião, surgiu a proposta de intervenção na UFSC, denunciando a situação das bolsas na pós-graduação e situação orçamentária da universidade.

    O ato ocorreu no sábado, dia 15/05, na UFSC. Os estudantes pintaram algumas faixas e às 12h o ato saiu em direção à Trindade para exibição dos materiais produzidos e para convidar para a mobilização nacional no dia 29/04.

    Algumas fotos deste dia você pode acompanhar logo abaixo:

    estudantes confeccionando as faixas

     

    foto de uma das faixas produzidas com os dizeres “não aos cortes Pós UFSC em luta!”

     

    foto com os pós-graduandos segurando as faixas produzidas para o ato em direção à rótula

    A APG-UFSC agradece a insubstituível presença de todos os(as) colegas pós-graduandos(as) e conta com a firme presença de todos nessa articulação por bolsas!

    Qualquer dúvida, entrem em contato pelas redes ou pelo e-mail.


  • HOJE: Reunião ampliada pós por bolsas UFSC!

    Publicado em 13/05/2021 às 11:45

    Essa semana as reitorias das universidades federais estão vindo a público declarar que não podem continuar funcionando com o orçamento que está sendo disponibilizado até então. As bolsas de pós-graduação compõem esse cenário de estrangulamento de recursos que leva ao fim das universidades públicas. A luta pelas bolsas não está desvinculada da luta pela recomposição do orçamento das universidades!

    Na UFSC já estamos nos movimentando e na reunião de hoje daremos repasses sobre a reunião que realizamos com a propg sobre o total de bolsas disponíveis no momento. Alguns programas também estão se reunindo para pensar como podem contribuir com essa mobilização. Tragam suas questões para a reunião de hoje para somar com a gente!

    Estamos programando também para os próximos dias uma intervenção na UFSC para chamar atenção para este cenário.

    Junte-se a nós para lutar pela produção científica nacional e pelas universidades públicas!

    Nossa reunião é hoje, 13/05! Nos vemos às 19h, neste link.


  • Próxima reunião ampliada da pós UFSC na luta por bolsas e remuneração!

    Publicado em 28/04/2021 às 22:29

    29/04 (quinta), às 19 horas.

    Link para a reunião: https://meet.jit.si/APGUFSC-29-04-2021-1900-EXTRA-BOLSAS

    A articulação criada nas últimas semanas para lidar com a luta contra os cortes de bolsas de pós-graduação se reunirá nesta quinta, 29/04, às 19h, para discutir o andamento dos trabalhos dos GTs e os próximos passos. Todas e todos com interesse em se somar à luta estão convidadas/os – há muita luta pela frente!

    Saiba mais sobre a articulação:

    Repasse da primeira reunião
    Repasse da segunda reunião
    Manifesto aos discentes, docentes e TAEs por bolsas de pesquisa na pós-graduação da UFSC


  • Manifesto aos discentes, docentes e TAEs por bolsas de pesquisa na pós-graduação da UFSC

    Publicado em 26/04/2021 às 9:21

    Abril, 2021.

    Endereçamos este manifesto a todas as categorias de trabalhadores da universidade que estão implicadas no compromisso pelo desenvolvimento de pesquisa científica. Nosso objetivo não poderia ser outro senão fazer com que a UFSC se levante contra a precarização que atinge massivamente o investimento em pesquisa, perturbando as já precárias condições materiais a que se submetem aqueles que desejam cursar uma pós-graduação pública.

    Frente ao grande desmonte do financiamento em educação e pesquisa no Brasil, os estudantes de pós-graduação da UFSC estão se reunindo para discutir a situação atual dos Programas de Pós-Graduação de nossa universidade. A articulação iniciada e organizada pela Associação de Pós-Graduandos da UFSC (APG) tem realizado reuniões para debater o enorme vácuo de bolsas de fomento em nossos mais diversos cursos de pós-graduação e elaborar as ações iniciais dessa luta.

    Não queremos mais que a universidade tenha uma direção omissa e complacente com a destruição da universidade e do fazer científico! Acreditamos que a política de investimento em pesquisa e ciência é um elemento basilar para a Universidade Pública e função social do Estado, e que em virtude disso aquela deve promover um desenvolvimento científico ligado às necessidades e dilemas da população brasileira. É por essa razão que as pesquisas desenvolvidas nas universidades públicas devem interessar a todos, sejam ou não membros da comunidade acadêmica.

    Os cortes de bolsas e outras verbas das Universidades Públicas ocorrem há muitos anos e vem aumentando progressivamente. No início de 2020, a CAPES definiu um novo critério para distribuição de bolsas de pós-graduação. Na prática, essa mudança significou um corte drástico para a maioria das universidades brasileiras – somente na UFSC foram cortadas mais de 600 bolsas. Como sabemos, mesmo a totalidade desses cortes não veio de maneira imediata: parte das bolsas foram transformadas em “bolsas emergenciais” e mantidas até o final do ciclo daqueles bolsistas. Conforme as defesas dos respectivos trabalhos de conclusão foram acontecendo (algumas ainda por acontecer), as bolsas foram e serão extintas. O modelo de corte se apresentou como um dos fatores decisivos para a dificuldade generalizada de mobilização, dentro e fora da categoria, já que as primeiras turmas diretamente afetadas por eles só ingressariam mais tarde na pós-graduação.

    Além disso, ainda em 2020, um levantamento feito pela APG mostrou que a UFSC vem sofrendo cortes de bolsas também do CNPq. Muito embora existam outros programas de fomento científico, tais programas são insuficientes, pouco transparentes e, em geral, de cunho privado.

    Soma-se a isso o fato de que o último reajuste das bolsas de pós-graduação ocorreu em abril de 2013, desde então o valor das bolsas de mestrado é de R$1500 e das bolsas de doutorado R$2200. Desde 2013, a inflação corroeu cerca de 35% do valor dessas bolsas, corrigido pelo IPCA. Em preços de 2013, o valor da bolsa de mestrado seria hoje cerca de R$970, enquanto o da bolsa de doutorado seria cerca de R$1400 – valores que dificilmente dão conta das necessidades básicas do estudante, como aluguel, alimentação, transporte, livros, etc.

    Na ausência de fomento consistente à produção científica, os estudantes, quando não desistem dos programas, precisam trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Como consequência, este pesquisador deixa de dedicar horas para o desenvolvimento da sua pesquisa para se dedicar a trabalhos que, algumas vezes, não possuem sequer relação com a área de conhecimento na qual está inserido.

    Ainda que nós sejamos os primeiros – ou, junto da graduação, os mais vulneráveis – a sentirem os efeitos imediatos da retirada massiva de fomento à pesquisa acadêmica, tendo de realizar toda a pesquisa enquanto concilia com um trabalho precário e fora da universidade (quando não desistindo de continuá-la por completa falta de condições materiais), sabemos que essa pauta não diz respeito apenas ao conjunto da universidade – discentes, docentes e técnicos administrativos – mas sim toda a sociedade.

    Portanto, convidamos todos os pós-graduandos a participarem conosco nessa articulação, colocando-se um a um – mas juntos – às tarefas que a realidade nos impõe! Para além de uma articulação de pós-graduandos, faz-se urgente que também nossos orientadores, colegiados e coordenadores de Programas discutam o tema e tomem parte do processo. No que diz respeito à instituição, é necessário que os quadros dirigentes da administração da UFSC façam pressão em conjunto com outras Universidades Públicas e no âmbito dos fóruns entre dirigentes dessas universidades. Convocamos os docentes e as instâncias de representação máxima desta instituição, a Reitoria da Universidade e a Pró-Reitoria de Pós-Graduação, a disputarem conosco pelas bolsas. É preciso não adotar mais uma vez a política de gerenciamento de migalhas, mas, ao contrário, fazer esforços efetivos, com cobranças aos ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia, para reconstituição e aumento do financiamento à pesquisa nas Universidades Públicas.

    Nossa próxima reunião está agendada para quinta-feira, dia 29 de abril, às 19h. O link para participação está sendo divulgado pela Associação de Pós-Graduandos da UFSC. Convidamos a Pós-graduação, não só a participar dos espaços promovidos pela APG, mas também a construir a luta em seus Programas e em seus cursos.

    Converse com seus colegas de Programa, com os representantes discentes dos colegiados e centros de ensino, e vamos construir uma mobilização em nossa universidade pela manutenção da qualidade de nossas pesquisas!

    Articulação de Pós-Graduandos na Luta por Bolsas
    Associação de Pós-Graduandos | Universidade Federal de Santa Catarina